Feeds:
Posts
Comentários

Arquivo de Março, 2009

Domingo sem luz

Domingo preguiçoso. Pego num livro de Joyce Carol Oates. Magnífica.
Vim para aqui antes da madrugada. Durmo pouco e mal. Quantas horas a ler? Quantos sonhos? Agora os olhos, cansados, ardem-me. Vou à janela.
Amanhece devagar. Os arbustos que fecham o meu escritório e me dão uma espécie de intimidade, estão húmidos. Que frustração. Vancouver é uma [...]

Read Full Post »

É inglesa, olhos claros, cabelos brancos penteados para trás. Tem 91 anos. Durante grande parte da sua vida foi editora de escritores de prestígio internacional como Norman Mailer, John Updike, Simone de Beauvoir, V.S. Naipaul, Mordecai Richler, etc. A lista é grande e impressionante.
A sua longevidade não atenuou a sua enorme beleza, a pose fina. [...]

Read Full Post »

As mulheres do sul

As pobres mulheres do sul:
tão perdidas nos seus passos, velhas,
o azul frio da neblina caído
nos ombros,
o trigo crepuscular abrindo-lhes sulcos
no rosto.
in No Deserto Inesgotável do Teu Nome, em preparação.

Read Full Post »

Escureço

Escureço contigo
sobre os instantes,
entre a palha do entardecer.
Os campos ardem, os pássaros
atravessam os teus olhos até ao mar.
Em que deserto me encontras,
afogado em ti?
in No Deserto Inesgotável do Teu Nome, em preparação.

Read Full Post »

Teolinda Gersão

Desde o seu primeiro romance, O Silêncio, que presto especial atenção aos livros de Teolinda Gersão. Lembro-me que essas primeiras impressões de leitura me remeteram para um sortilégio invulgar nunca experimentado num livro de ficção: um novo e atraente gosto fílmico de relatar, quase sussurrante. Inspirava-me tanta serenidade e beleza que me parecia ter ante [...]

Read Full Post »

Homem a fugir do poema

Sou homem e uma pedra a arder. Não me levem para a cidade.
Pensava nisto enquanto a noite caía, folha a folha, no vidro do hotel. À direita, o mar era uma superfície quieta. Na piscina, em baixo, um sujeito fumava. Abri a porta e meti-me no balcão.
Lembrei-me do Inverno aqui, das suas mãos frias e [...]

Read Full Post »

Introspecção

Componho a sombra, os seus fragmentos.
Uma guitarra fere as veias das palavras.
Que arte esta, a do silêncio?
Um lobo uiva rente à fala
e neva no olhar do poema.
Atravesso o inverno, árvores nuas,
vales desérticos e brancos,
sob nuvens escuras onde matilhas de tédio
perseguem, verozes,  a claridade.
Que território este, sinuoso e abrupto,
onde o fogo e a água formam um [...]

Read Full Post »

Eusebio Baleirón

Quando um poeta da envergadura de Eusebio Lorenzo Baleirón (A Coruña, 1962-1985) desaparece tão prematuramente, essa ausência é uma tragédia. Toca-nos profundamente.
Os grandes autores não pertencem a uma região ou a um país. São do mundo, do nosso, daquele em que se move «a evidência imóvel de uma sombra», como escreveu Eusebio Baleirón.
Gramática del silencio, [...]

Read Full Post »

Momento

A trança, escura, batia-lhe nas costas. O cachecol atravessava os ombros, voava como um pássaro errante nas suas costas. O sol, alto, corria as escadarias íngremes e deixava-se cair pelo branco do casario. A certo momento a luz prendeu-se à sua mão como uma criança perdida, e foram as duas por ali acima, os pinheiros [...]

Read Full Post »

Madrigal

Encontrei a tua voz numa gota de orvalho.
Olhei: os ramos da camélia mexiam
com o vento – eras tu a dançar.
Então o orvalho resvalou da folha,
caiu na minha mão,
e começou a cantar
entre os meus dedos.
Eduardo Bettencourt Pinto

Read Full Post »

Posts Mais Antigos »