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Arquivo de Abril, 2009

Escrever

Agarro-me todos os dias às palavras como a raízes. Sem elas, a solidão profunda. O presídio emocional. Entre mim e o acto da escrita estabelece-se uma relação mais fisiológica do que intelectual. As palavras actuam como extensão das mãos, uma voz que cresce de entre os dedos para o papel ou ecrã do computador.
Posso atravessar [...]

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A magnólia

Está do lado de trás da casa. Fui vê-la ontem. Parecia uma mulher antiga, braços ao alto, vestido pobre, e a intraduzível melancolia dos cães abandonados. Apeteceu-me abraçar a velha e frágil amiga.
Durante o Verão cuido dela com a sede imensa das minhas mãos: toco nela devagarinho, lentamente, até sentir na pele uma vibração divina. [...]

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O amor

Abre os braços e acolhe os rios do meu corpo.
Ondula comigo entre as tempestades brancas
dos lençóis,
atravessando a noite, o dia,
o fulgor de irremediáveis marés.
O amor é uma viagem sem bússola.
Perde-te comigo no horizonte desse mar.
in O Inverno de Sofia, romance.

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Aurelino Costa

Quando se aproximou do microfone, a luz do tecto caiu sobre ele como um raio solar. Sob o foco, a claridade não o despiu: pareceu levantá-lo do chão numa espécie de nuvem. A sala, cheia, guardou silêncio.
Instantes depois, não era apenas a sua poesia que era um assombro. Levava-nos numa viagem sem fronteiras e habitáveis [...]

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Enunciação

A chama permeável sobre a terra. Repouso a mão no teu ombro – vês o sol? Caminha na erva muito de leve e leva consigo uma criança. Vamos segui-los. Procuram o Verão.
Quem canta na sombra de um jacarandá? Será ele? Por que envelhece aquela mulher por trás da janela a contar os dias? Por [...]

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