Preocupo-me quando não sinto. Não posso, não quero e não devo viver alheado do que me cerca. Sentir é estar atento, recolher nas veias a serpenteante geografia da existência.
Não vivo autocentrado. Movo-me nos sobressaltos entre alegria e tristeza. Tenho tanta afinidade com a melancolia quanto tenho com o júbilo. Danço descalço numa praia de rituais e sentidos. Estou no vértice entre fogo e água, sombra e luz. A minha natureza é cantar sobre as pedras.
Amo tanto que não tenho pátria nem coração. O meu peito é um oceano. Todos os dias viajo por fronteiras imprevisíveis. Tenho um poema insondável a crescer entre os dedos.
Sentir é escrever o esplêndido, o inenarrável percurso do ser na grande, imensa praça dos dias.
Dá-me a tua mão: o nosso destino é a terra.
Como sei do que fala, como “amo tanto que não tenho pátria nem coração”, como sei as cinzas que fluem no mar na procura incessante da liberdade, como sei a abundância da terra, como sei as cinzas que continuam a fluir no mar na procura incessante da liberdade, como sou, como faço mar e terra.
MAP