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Desço a longa estrada sem pressa. A minha prioridade é encontrar um lugar público onde tomar banho. Pior do que ser um sítio banal e claustrofóbico, a impraticabilidade do meu parque de campismo é o que me desaponta mais. Não tem chuveiros, por exemplo. Qualquer movimento exige esforço físico. Mas este não é o momento para queixas. Há que descobrir, neste espaço estranho, o mínimo conforto.
Na rua principal dirijo-me a um sujeito que passa. Diz-me que na marina, logo a seguir, há banheiros.
Vejo os barcos, a tranquila água da tarde sob uma espécie de radiação lunar. Do lado esquerdo, um pequeno edifício. Parece a administração da marina. Descubro, através dos vidros, uma senhora por trás de um balcão. Entro? Prefiro averiguar um pouco mais e vou até à doca.
– Sabe se há balneários por aqui? – pergunto a uma senhora que está encostada a um corrimão de madeira.
– É ali mesmo, mas está ocupado.
Diz-me então o número do código para poder entrar. É de uma simpatia diáfana. Enquanto conversamos, vagueiam gaivotas na luz fluída. As nuvens são brancas e calmas. O tempo, um guaraná perto da boca.
(continua)