Tanto pó na minha terra! Tanto vento descalço pelas ruas!
A mulher que ainda ontem viste a correr na tua infância,
cruza-se contigo na imponderável circunstância
do tempo.
As suas roupas envelheceram com o suor; teve filhos
como o abacateiro da estrada do Sul.
As costas, achatadas com a dureza da esteira,
foram o muro onde levou as crianças e a luz árdua
da pobreza.
Agora é uma sombra que passa, curvada e lânguida,
enquanto o dia vai escurecendo a sua pele nocturna
e um rio chora, mansinho, entre os seus pés.
Alebag, outra vez
Novembro 26, 2011 por eduardobpinto
outra vez e sempre tão presente. Bom dia
Curvada e lânguida, talvez mesmo esquálida, a sombra do que fora… Seremos sombra. Todos seremos sombra…inexoravelmente…
Bendigo os olhos das tua palavras, Eduardo! Pois elas me fazem ver…