Corro e chove nas últimas palavras que voam sobre os meus ombros.
Perdem-se no ar e o único rasto que delas fica esvai-se
entre o cheiro da terra de Novembro, grave e húmida.
Mas fica a semente.
Leva-a contigo.
As palavras são átomos que actuam como os genes:
respiram na esplendorosa noite do coração,
multiplicam-se na primavera do corpo,
e ficam, como estrelas de água, presas às cores do olhar
e do sangue.
Regressam com a memória
e o crepúsculo,
como os brancos e rebeldes
pombos do Sul.
Um caminho para o Sul
Novembro 26, 2011 por eduardobpinto