Sobe as escadas devagar. Junho está perto das árvores
- palmeiras altas, a brisa a despenteá-las,
o teu olhar.
O sol derrama toda a água da tarde
sobre a tua pele.
Vê se te lembras do nome do mar
quando vais à janela.
«O cheiro do limão cresce entre os teus dedos
com a imensa infância dos frutos», disseste
uma vez.
Havia muita poesia na tua voz
e eu acreditei nessa mentira porque era do fogo
que me falavas e esse foi sempre a minha perdição
rente à loucura.
A vida é uma história escondida
no teu corpo, nos teus lábios húmidos
onde o crepúsculo solta as suas aves
mais ardentes.
Dá-me a tua mão.
Vamos pelos caminhos da terra
seguindo os flamingos
e aquele pedaço de céu que um dia descobriste
adormecido rente ao silêncio.
Breve momento com o Verão por cima
Dezembro 3, 2011 por eduardobpinto
Pois é, aquele pedaço de céu escondeu-se…
…e no entanto ele está lá!