Regresso a casa com as luzes do Natal a piscarem nos retrovisores da carrinha. Desligo o motor e logo o para-brisas se deixa tomar pela escuridão e pela chuva que, forte, obscurece o vidro. As luzes são das casas dos vizinhos. Vivo aqui há vinte e um anos e não os conheço. O pior de tudo isso é que eu não me importo, nem eles em relação a mim. Vivemos todos no Inverno do mundo, fechados, recolhidos nas nossas vidas egocêntricas. Não há curiosidade que nos una, um gesto, uma palavra de saudação. Um sorriso. Entramos e saímos dos nossos carros como se fôssemos apenas nós que morássemos nesta rua, e os nossos passos crescessem com ervas selvagens.
Com a mesma indiferença com que noto as luzes de Natal a piscarem na longa noite do vazio, tiro a chave da ignição, fecho a janela e saio para a chuva.
Natal?
Dezembro 27, 2011 por eduardobpinto
…mas a chuva é comum a todos, mesmo que chova nesse Natal… solitário? ou menos solidário? E um sorriso?