A mãe das gaivotas

Ela sai do carro com um saco plástico. É uma senhora de meia-idade. Olha em redor até avistar as gaivotas. Estão num pequeno bando num lado vazio do parque de estacionamento. Mal a vêem, as aves levantam voo na sua direcção. Voam em círculos. Ela então abre o saco e atira comida para o chão. Depois afasta-se e põe-se a observá-las.
Vai ali todos os sábados.
Uma vez, foi interceptada por uma mulher de café na mão:
– Não devia estar a dar comida às gaivotas, sabe? É contra a lei. Além disso pode fazer-lhes mal.
A mãe das gaivotas olhou-a com curiosidade. Então perguntou:
– Já tomou o pequeno-almoço?
– Não tem nada a ver com isso – respondeu a outra de modo brusco.
– Concordo, tem razão.  Então porque se mete na vida outros?
– Não estou a meter-me na sua vida. O que está a fazer é contra a lei.
– Qual lei? A da fome?
A cidadã preocupada com a lei fez um trejeito de desdém e foi-se embora, acossada por uma nuvem de insignificância.

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