A mulher da escada

Uma mulher negra, grávida, descia a longa, íngreme escada. De repente falhou-lhe o pé, enfiado num chinelo de borracha. Vi-lhe o horror nos olhos, antes da queda. O grito reverberou até ao impacto no chão de relva.
Que fazer? Corri para o telefone. Desorientado, voltei à janela sem discar o número de emergência. Rodeada de gente, ventre para cima, ela murmurava algo que eu não conseguia ouvir. Foi então que acordei.
Fui à cozinha e bebi um copo de água. Aproximei-me da janela. A noite branca, gelada, invernal. Tem estado assim há semanas, a neve.
Pousei o copo na mesa, incomodado com o sonho. África, sempre. A sua realidade crua em metáforas, imagens, sonhos.
Voltei a deitar-me. Acordado, de olhos fechados, pensando. A escuridão, a noite branca lá fora. Uma escada de contradições rente aos pés.
Subir ou descer?

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