Dia: 14 de Fevereiro, 2008

Momento

Diviso, do outro lado dos ramos, a luz. É uma claridade frágil. Parece-me o rosto de um velho iluminado por um sorriso. Vejo isto como se fosse uma cadência musical, a extinguir-se aos poucos.
A luz vai-se, enfim. Fica a névoa e um torpor frio. Fevereiro é assim, uma estátua no parque, os braços abertos à neve, à chuva e ao vento.
Sou um cão sem trela entre as árvores. A minha vida são estas raízes de névoa, e sobre as quais passo, sem pressa, farejando o mundo.