Fim do dia

Recordar-te.

Não sei de que ilha da memória olhas o mar.

Os cafés agitam-se a esta hora, entram e saem os vultos

da cidade.

Estou aqui e penso. Volto páginas do livro que leio, bebo café,

oiço um samba.

De repente apareces com a tua voz rouca. Fecho os olhos.

Vejo-te dentro de mim. É sempre verão:

sinto o fulgor das palmeiras nas tuas mãos.

Levo-as à boca.

O sol calmo e macio

de setembro corre-te a pele,

deixa-te

entre os dedos quatro sílabas

e um trilho no deserto dos dias.

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Um pensamento sobre “Fim do dia

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