A sombra

A sombra estava de joelhos sobre a areia da praia. Passava uma senhora de idade com um cão pela trela. O bicho estacou. Levantou a cabeça a farejar. Depois forçou a dona até a sombra. Alçou a pata direita e urinou. A sombra desfez-se.

Vi-os afastarem-se.  Olhei-os com rancor. A sombra era o olhar de um velho, a voz de umas mãos abertas e sós.

Vi esse poema por acaso, vivo. Não era coisa de palavras, não estava escrito. Era apenas um momento, belo e efémero. Silêncio que um homem contempla em certas alturas, como se todas as coisas fossem supremas, sagradas.

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Um pensamento sobre “A sombra

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