Casi cielo

Bebo o último sol da tua boca.

As cadeiras estão vazias.
Oiço um murmúrio de guitarra enquanto um bravo cavalo de água
galopa sobre o mar.
Os teus ombros ardiam, lembro-me, o vento.
O vestido era branco, as sandálias duas sombras de palmeira.
Não tinhas um nome para recolher os meus rios,
e a nostalgia olhava-me como um cão.
Um dia todos nós partimos.
Mas eu regresso sempre a este cais,
palavra a palavra,
buscando-te.

Eduardo Bettencourt Pinto

in No Deserto Inesgotável do Teu Nome, em preparação.

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3 pensamentos sobre “Casi cielo

  1. E fica-se assim sem forças sob o sol, o corpo todo sobre a areia, o mar quente a ir e a vir, o corpo sem querer recomeçar, a música a encher tudo de sal e de noite, a música sentada, o mar a partir e a regressar. Mar infinito o que escreve, Eduardo Bettencourt Pinto, maravilhamento….

  2. Caro Eduardo,

    “um bravo cavalo de água galopa sobre o mar”…O título do próximo romance do António (Lobo Antunes) é “Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?”… e que é um verso de uma modinha alentejana que ouvimos cantar ao Vitorino e ao Janita.

    Acho o seu poema assombroso!
    Um abraço do
    Zé Ribeiro

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