Momento

A trança, escura, batia-lhe nas costas. O cachecol atravessava os ombros, voava como um pássaro errante nas suas costas. O sol, alto, corria as escadarias íngremes e deixava-se cair pelo branco do casario. A certo momento a luz prendeu-se à sua mão como uma criança perdida, e foram as duas por ali acima, os pinheiros ao fundo, a alvinitente relevância de Fevereiro num pequeno país do Sul.
Numa terra assim, de pedras e vento, uma mulher é toda a música da água. O ar cheira a pão quando passa, a resina de antiquíssimas árvores. A paisagem onde se perde torna-se uma tela com as mais fulminantes cores da memória.

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3 pensamentos sobre “Momento

  1. Quero ser pássaro e pousar nas costas do seu olhar, quero ser sol e correr nas escadarias com o seu olhar, quero ser luz e ficar na pele, quero ser a sua criança Eduardo Bettencourt Pinto, queria ser escritor, queria ser poeta, queria ser personagem, queria ser personagens, queria ser homem e queria ser mulher. Mas sou apenas um homem que pego na tela deslumbrante do seu texto para o beber e respirar até ao fim do mundo.

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