Introspecção

Componho a sombra, os seus fragmentos.
Uma guitarra fere as veias das palavras.
Que arte esta, a do silêncio?
Um lobo uiva rente à fala
e neva no olhar do poema.
Atravesso o inverno, árvores nuas,
vales desérticos e brancos,
sob nuvens escuras onde matilhas de tédio
perseguem, verozes,  a claridade.
Que território este, sinuoso e abrupto,
onde o fogo e a água formam um caudal?
Vivo no gume da lâmina
pólen e caos.
Registo a ressonância do pulso,
a forma de coisas húmidas,
páginas onde oiço o correr do sangue,
a palpitação da terra.
Observo o mundo
enquanto um cavalo galopa
entre mistério e ausência.

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