Sentir

Preocupo-me quando não sinto. Não posso, não quero e não devo viver alheado do que me cerca. Sentir é estar atento, recolher nas veias a serpenteante geografia da existência.

Não vivo autocentrado. Movo-me nos sobressaltos entre alegria e tristeza. Tenho tanta afinidade com a melancolia quanto tenho com o júbilo. Danço descalço numa praia de rituais e sentidos. Estou no vértice entre fogo e água, sombra e luz. A minha natureza é cantar sobre as pedras.

Amo tanto que não tenho pátria nem coração. O meu peito é um oceano. Todos os dias viajo por fronteiras imprevisíveis. Tenho um poema insondável a crescer entre os dedos.

Sentir é escrever o esplêndido, o inenarrável percurso do ser na grande, imensa praça dos dias.

Dá-me a tua mão: o nosso destino é a terra.

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Um pensamento sobre “Sentir

  1. Como sei do que fala, como “amo tanto que não tenho pátria nem coração”, como sei as cinzas que fluem no mar na procura incessante da liberdade, como sei a abundância da terra, como sei as cinzas que continuam a fluir no mar na procura incessante da liberdade, como sou, como faço mar e terra.
    MAP

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