Peregrinatio

Tenho poucos amigos no Verão. Ou escondo-me num poema impossível à procura do mar, ou ando pela brisa, de mota ou bicicleta, a inventar a minha vida.

Hoje o sol foi uma maçã madura caída na tarde. Quando voltei, a esplanada estava vazia. Deixei o capacete e as luvas numa mesa e fui buscar um café.

Sentei-me. Na mesa ao lado dois tipos. Um deles olhava o céu; o outro estava agarrado ao telemóvel, a dizer coisas doces à namorada. Tinha um sorriso de triunfo, imbecil. Palavras cor-de-rosa, previsíveis, vazias. Meu Deus!, tanta poluição sonora!

Eu só queria um pouco de silêncio, receber a noite nos meus braços, os seus fios de luz apagada. Tomar um café e pensar como o mar é lindo e calmo em Setembro.

Fui-me embora o mais rapidamente possível. Encontrei a noite pelo caminho, um túnel de sinais inextricáveis. Acelerei. A brisa, como uma chuva gelada, iluminou-me o caminho.

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