Sob as estrelas, de bicicleta (série)

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São 6:15 da manhã quando saio de casa. A luz matinal é ainda de uma claridade ténue. A bicicleta vai pesada, os quatro sacos cheios, à frente e atrás. Noto que os calcanhares, à medida que pedalo, roçam os de trás. Paro e dou um jeito. Fica um pouco melhor. Decido colocar os pés um pouco mais para a frente nos pedais. Deixo então de ouvir o ruído que me irrita.

Vou de luzes acesas por uma zona escura até avistar a estrada. Viro à esquerda em direcção à ponte. Vou subindo, com um pouco de esforço. Mudo de velocidade repetidas vezes até sentir o andamento menos penoso.

Meia hora depois, para minha surpresa, alcanço Langley. São mais de dez quilómetros de casa, com semáforos e a subir.

O tráfego automóvel já é notório. Meto à direita, pela auto-estrada 10. Evito, quanto posso, as pedras pequenas que abundam. Um furo não seria nada agradável. Tenho de estar no porto antes das 10 para apanhar o barco para a ilha de Salt Spring. Qualquer percalço, mínimo que seja, pode comprometer essa possibilidade. Não me convém perdê-lo. O outro barco sai de tarde, às 7:10, e só chega ao destino três horas depois. Será complicado arranjar, no escuro, um parque de campismo. Terei de ficar num hotel e isso não me convém. Contrairia completamente o propósito desta viagem: proponho-me fazê-la do modo mais frugal possível.

(continua)

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