Sob as estrelas, de bicicleta/ 2

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A enorme subida deixa-me sem fôlego e apreensivo. Não há uma linha dedicada às bicicletas. Carros e camiões passam muito perto e a grande velocidade. Subo o passeio. Sinto-me mais protegido das caixas de metal com rodas. Mais à frente, quando a estrada alargar, retomarei o meu curso normal.

Viajo há hora e meia e preciso de fazer o ponto da situação. Estou agora em Surrey, uma área urbana. Entre a zona comercial avisto dois sujeitos sentados numa esplanada. Talvez me possam informar.

Fico a saber que, de carro, levaria 20 minutos a chegar à auto-estrada 17. Pelas minhas contas será, de bicicleta, pelo menos cinquenta minutos. Agradeço e continuo.

Algum tempo depois sinto-me aliviado quando, por fim, torno à esquerda após uma ponte.

O percurso agora é plano, embora o horizonte morra longe, longe ainda dos meus olhos.

O saco com a máquina fotográfica, que levo às costas, revela-se um estorvo. De vez em quando sacudo-o para o endireitar. Na próxima vez, trago apenas uma máquina pequena, dessas que se escondem no bolso. Esta parece um corvo às bicadas.

Avisto um polícia parado à beira da auto-estrada. Abre o vidro quando me vê parado ao seu lado.

– Em que o posso ajudar? – pergunta-me curioso.

– Falta muito para chegar a Tsawwassen?

– Está quase lá. A uns vinte minutos – diz com um sorriso.

Agradeço-lhe. Antes de fechar o vidro recomenda-me que tenha cuidado com o tráfego. Deseja-me boa sorte e faz um aceno de despedida.

(continua)

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