Sob as estrelas, de bicicleta /3

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Um pouco adiante decido-me a uma pequena paragem. Sinto calor. Tiro o casaco e bebo um pouco de água. Faço flexões às costas enquanto mergulho o olhar na paisagem em frente. Está uma manhã divinal.  Nuvens brancas e altas correm para o mar. Parecem dançar com o azul.

Pego no casaco, dobro-o e encaixo-o entre a tenda e o saco de dormir. Volto a colocar o capacete, monto a bicicleta, e sigo a linha branca, muito direita, que delimita as faixas de rodagem.

Minutos depois passa um tipo por mim. Ligeiro, leva apenas uma mochila às costas. Desliza como a brisa, sem esforço, na sua bicicleta. Deixo momentaneamente de o ver quando desaparece na descida do viaduto.

Ultrapasso a pequena inclinação sem dificuldade e então vejo-o. Abrandou a marcha para irmos conversando até ao porto.

– Você leva uma carga que faz favor!
– Vou atravessar o mundo!
– Atravessar o mundo? – diz incrédulo.
– Apenas por uns dias…

Chama-se Paul e adora bicicletas. Mais tarde confessa-me que é a sua terapia. Vai também para Salt Spring. Perdeu o emprego e precisa de algum tempo para reflectir. Tem hotel reservado em Ganges mas não sabe quanto tempo ficará.

Vejo as gaivotas de Tsawwassen, o mar, o sol tão branco como uma rosa de água. Um alívio. Levei três horas a chegar aqui, a batalhar o tráfego. Cinquenta e seis quilómetros de ruídos com a minha casa peregrina entre os pés.

(continua)

doca_sidney

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