Sentimento de Chuva

A ressonância diluvial das palavras,

quero dizer, a tempestade

da minha boca sobre os teus cabelos.

Calo-me entre o sentido do teu rosto e as ruínas.

Os flamingos fugiram e uma revoada levantou-se por cima

dos teus olhos.

O sul era tão grande dentro de ti!

Depois foi o tempo onde os jardins envelheceram

e os gestos murcharam.

A voz inebriada das guitarras, a festa das rosas,

a resina de velhos ritos, tudo agora

rente a um choro de cigarras.

Dancemos.

O crepúsculo acabou

de incendiar os barcos no cais;

não há ninguém para além de nós

e uma gaivota a perder-se no universo.

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