Sob as estrelas, de bicicleta /10

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Enquanto espero, surge, vinda da marina e acompanhada de um cão preto, uma rapariga. Vem ao mesmo. Espera, um pouco afastada de nós, encostada ao corrimão de madeira. O cachorro corre de um lado para o outro na brincadeira.

Enquanto aguardamos, converso com a senhora que está ao meu lado. Os seus olhos, de um azul doce e claro, estão abandonados a um inextricável mistério. Parecem despir um olhar de água e uma emoção que flutua até ao interlocutor.

Diz-me que está acampada no Ruckle Park, no extremo da ilha. Digo-lhe que também vou para lá. Ela confirma o que tenho lido a respeito do lugar, aparentemente um recanto paradisíaco.

Fico ainda mais entusiasmado. No entanto, não sei quanto tempo ficarei em Granges. Gostava de explorar um pouco as redondezas.

A amiga chega, uma senhora desenvolta de longos e soltos cabelos brancos. Apresentamo-nos. Chama-se Linda; a amiga, Marlene.

A rapariga, vendo-nos a conversar, fica indecisa. Dou-lhe a vez para o chuveiro e ela desaparece por trás do edifício seguida pelo cão.

As senhoras vão-se embora. Entretenho-me a reparar na marina. Está cheia. Salt Spring é uma ilha muito procurada.

Antes que alguém chegue, vou sentar-me num banco perto dos balneários e aguardar a minha vez.

Daí a pouco sai a rapariga, os longos cabelos negros húmidos e cheirosos. Agradece-me outra vez e desaparece seguida pelo companheiro canino.

(continua)

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