Nathalie Sarraute

O cabelo liso, corrido, de cinza. A écharpe castanha sobre a camisola cinzenta, talvez de lã, a mão direita acompanhando as palavras. Vejo-a no vídeo, um momento breve, o seu francês culto e sedutor, a pronúncia adocicada de Paris.

Nathalie Sarraute foi uma mulher frágil de corpo mas com um firme espírito de árvore. Tinha quase cem anos quando faleceu.
Lembrei-me hoje dela – um dia de sol, tão alto como se fosse mediterrânico.

Enquanto Vancouver explode com os Jogos Olímpicos, escondi-me em casa entre os livros, assustado, fugindo das multidões e do tráfego desenfreado.

A noite entretanto chegou, tão de repente como um pássaro desorientado.

Levantei-me na pausa da escrita e relancei os olhos sobre a estante. Foi quando notei a lombada do seu «Infância». Escreveu-o já tarde, ia nos seus oitenta e poucos anos de idade.

Recordo a sua vasta cultura, a complexidade, e quão sóbria foi na construção da frase. A sua escrita, enfim, luminosa, eloquente e de enorme profundidade.

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