A noite é um vale de peregrinações

Juntei às pedras o rumor das mãos. Olhei a relva: as pegadas de um cão. Que farejou  neste frio matinal? O peso de uma voz? A memória? Entretanto o sol veio a trote por aí abaixo e levou-me de arrastão pelo dia.

Esqueci-me das pedras e do cão. Circulei por entre coisas pequenas. Burocracias e diálogos confrontaram as minhas horas mais luminosas. Quero dizer: abracei o inevitável como quem mergulha os ossos num mar de areia.

E veio a noite.

Antes de fechar a porta e aquecer-me entre o lume destas palavras, olhei o jardim. Tudo adormecido. “Não sei com que cor posso desenhar o teu rosto no escuro” pensei, regressando devagar à minha vida.

Eduardo Bettencourt Pinto

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