Identidade

O meu lugar é nenhum lugar: não sou angolano, não sou português, não sou canadiano. Sou uma aparência humana no espelho do tempo com o nome dos meus mortos no subconsciente. Caminho num mundo de referências e que é um labirinto. Escrevo para não morrer dentro de mim, para dar raízes às minhas mãos. Deus é o meu País. Cresço com a Primavera e apago-me no Outono. Vivo num ciclo de luz e sombra. E assim vou partindo deste mundo, cansado dele: devagar e sem rancor. Feliz, quero dizer, à medida da felicidade emprestada que é ter um pouco da terra dos outros na ponta dos meus dedos, que tanto, tanto amam.
E assim me escondo na névoa destruindo paradigmas.

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Um pensamento sobre “Identidade

  1. Oh, Homem, mas que tristeza!!!
    Eu entendo o que é ser de lugar nenhum (ou de todos os lugares), mas, apesar do António Variações cantar “Só estou bem onde não estou”, penso e sinto de modo diferente: “Estou bem onde estou porque sei que num ápice posso estar (bem) onde não estou”.
    Quando me perguntam por onde ando, digo que ando por aí, levada pelo vento. Enquanto o tempo estiver de feição vou ficando. QUE BOM ESTAR REFORMADA!!!

    Eduardo, não vás morrendo no Outono, nos Outonos que te sepultam, até porque a terra se vai preparando surdamente durante o Inverno, para acolher as sementeiras de vida que tu irás consumir. Homem de Deus, não te definhes, não te debruces na ponta do Inverno e não permitas, que ele seja o do teu descontentamento…

    Sabes qual o teu mal? A falta de sol!!!

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