Intermitência

Hoje choveu tanto que a terra parecia afogar-se sob uma intransigente sensação de vazio.
Foi uma floresta de água fria e uma escuridão de pássaros emudecidos.
Passei pelo dia numa vertigem quase esquecido de que há vida, sol, mar e emoções.
O Inverno é um túmulo que nos aproxima do rancor, nos converte no magma mais escuro.
Quero Setembro na ilha da minha mãe; quero ouvir um poema da tua boca,
o som rouco das pedras mais íntimas.
Há dias em que a arte nos ilumina de esperança,
esse abraço invisível que nos enreda o peito de cintilações.
Mas só esse poema, o dos teus lábios, poderia salvar-me
deste terrível crepúsculo de sombras que foi o meu dia.

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