Café

Entram e saem do café rostos tocados pela cor da noite. Uma mão poisa no meu ombro como uma gaivota. Não é ninguém mas o Tempo, esse túnel por onde se escoam todos os domínios da nossa fragilidade.

Estou aqui e estarei. Estou sentado na pedra da minha noite num café barulhento. Tenho comigo o meu computador e toda a minha vida.

Escrevo rente ao caos. Quero compreender as palavras, aquelas que voam de mim e deixam um ressoo de viagem nos meus dedos.

Estou nesta cidade que se cruza comigo nos seus domínios mais sombrios. Penso no cheiro das goiabas – o sul era assim, um odor de alegria tão breve como um pingo de água.

Penso num beijo perto do mar porque escrevo.  Penso e sinto os rios de ser homem enquanto todos os estranhos do mundo bebem café ao meu redor e se afastam devagar no silêncio das minhas palavras.

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