A chuva de abril

Em Abril a chuva é um espelho na janela.
São duras as sombras como pedras.
Onde mora a luz?
A água aprisiona-me.
Pequenas cinzas da alegria
volteiam, imparáveis,
cercando-me.
Amo-te devagar sobre um lençol
de silêncio, penso.
Amo-te para que todos os milagres aconteçam
na música que és.
Dentro de mim a vida são todos os momentos: tu,
a memória das vertigens mais belas, as montanhas
e os rios das palavras.
Só com elas navego ao teu encontro.
Chove eternamente
nesta manhã tão rente ao chão.
Nas estátuas húmidas do vento
poisam, agora e sempre,
as pombas e os pensamentos.
O cântico da água.

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2 pensamentos sobre “A chuva de abril

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