Na floresta, quem diria!

Regresso hoje ao turvo panteão da alegria. Trago uma guitarra, um cobertor para estender o corpo exausto, a minha pele de sáurio e o meu espírito de ave. O luar é um círculo de tempestades entre os ramos que me cobrem.

Não procures por mim nesta floresta. Há um lince à minha porta e dois cães de fila. Os meus inimigos protegem-me contra o imponderável.

Canto entre as árvores altas, o calor e as lendas. Canto e afogo-me em recordações.

Podia contar-te uma história de sangue e aventuras. Ou apertar-te contra mim, dar-te os frutos das mais belas palavras. Mas quem se aventura com um forasteiro, distante e irascível, cansado de um mundo sem coração?

Parti, amiga, com o sol da manhã. Pensa no meu nome na oculta peregrinação do poema, no homem que encontras encostado a uma palmeira na tarde mais alta dos dias.

Sou para sempre o labirinto e a obstinação da pedra. Não tenho quadros na parede nem cadeiras vazias. Vivo entre o sortilégio da água e o esplendor da águia.

Mas hoje, tão tarde no meu silêncio, regresso aos teus olhos para adormecer contigo.

Boa noite.

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