Manhã na ilha

Assim – um potro branco, a manhã a crescer, um azul breve por cima.

Estava na ilha e toda a beleza era possível.

Que dizer da silhueta no outro lado da mesa, cativo do seu esplendor, das suas raízes tão firmes no cimento do chão?

Amei em silêncio os labirintos de uma sombra, o trigo dos cabelos desalinhados pelo vento agreste, a altivez dos eucaliptos nos braços cruzados, o olhar que media com assombro as minhas imperfeições. Fui a pedra dos montes e o uivo dos últimos lobos.

Morri um pouco como os animais bravios ante uma tempestade de luz no dorso do horizonte. Mas fui renascendo entre muros de palavras e o sussurro impenetrável da poesia.

Estava na ilha e uma casa crescia entre as ervas e os primeiros passos no corredor do hotel.

 

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