Homem no labirinto

Hunter S. Thompson viveu de costas voltadas para a monarquia dos convencionalismos, para os gordinhos do contentamento balofo, para os hipócritas do grande capital. Viveu no extremo do fogo, reinventando-se, perto da água do mar ou nas grandes urbes de uma civilização em declínio. Viveu, é certo, de cigarro ao canto da boca, injectando no seu corpo o vício e a intempérie. Mas viveu, caramba! A ficção, sendo mais intensa e interessante do que a realidade, acabou por confundi-lo. Esse, parece-me, foi o dogma que o matou. Faltou-lhe, no fim, o túnel da hibernação, o estro de tudo quanto alimentou o seu espírito. Foi-se embora aos tiros, matando a imagem no espelho. Uma pena. Quantos chatos ficaram atrás a escrever sobre o umbigo? É melhor não pensar nisso. Falemos apenas de Hunter, o caçador de realidades inventadas. Levanto-me e aplaudo.

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