Ressoo

Leio Júlio Cortázar, o ar condicionado no máximo porque trago ainda na pele  o frio canadiano. A noite da ilha é húmida, longa, como um deserto que, de repente, fere a paisagem de escuridão. A minha mala algures em Londres, em Florença, talvez Madrid. Que sei eu dos trâmites do absurdo? Trago nela um pouco do Outono, uma folha, quero dizer, de uma árvore, o oiro todo da última tarde.

Um poeta anda sempre desarmado: há tanto amor na sua vulnerabilidade, tantas gaivotas perdidas! A lua, o mar e alguns rios reúnem-se dentro de si como uma festa de luz na floresta.

Onde começa a noite? Aqui, neste momento súbito, na música que atravessa os sentidos. Que haja a cor do fogo, um cão, a nostalgia. Que venham, descalços como peregrinos,  os sinais da claridade e me encontrem tranquilo, enrolado ao branco cobertor da madrugada.

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