Novembro

Novembro está cheio de folhas espalhadas pelo chão. As mais apaixonadas são da cor do oiro; as amarelas caíram de melancolia. Tento não pisá-las. Evito deixar sobre elas o peso do meu corpo, dos meus pensamentos, a cor das palavras que levo no coração. Há dias em que o Outono sou eu sentado num banco, observando as pombas sobre a relva, o cristal do orvalho a multiplicar-se como um milagre. Mas hoje, neste dia em que o sol caminha ao meu lado como um cão, observo Novembro entre as árvores, deitado sob elas como se fosse um tapete pintado por Matisse. Só o amor é tão belo como isto. E dói sempre.

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