Neblina

Os templos eram brancos, altas colunas onde as pombas se recolhiam para receber da tarde o último sol. Penso que era Ovídio, talvez não, quem sabe?, que se ajoelhava perante a água de uns belos olhos e cantava enlouquecido pelo fulgor de tanta beleza, os braços levantados aos céus. Foi há muitos anos mas podia ter sido hoje. Entretanto as cidades cresceram e os poetas ficaram sem um lugar para exercitarem a paixão. Começaram a morrer devagar como as ébrias legendas dos montes. Eu sou desse tempo. Sobrevivo entre as pedras de alguns versos. Mas hoje, quando a neblina me cerca com os seus muros intransponíveis, queria levar-te o mar nas mãos. Queria que cantasse nos teus cabelos enquanto eu atravessasse a assobiar o campo de tulipas húmidas dos teus olhos.

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