Alebag, outra vez

Tanto pó na minha terra! Tanto vento descalço pelas ruas!
A mulher que ainda ontem viste a correr na tua infância,
cruza-se contigo na imponderável circunstância
do tempo.
As suas roupas envelheceram com o suor; teve filhos
como o abacateiro da estrada do Sul.
As costas, achatadas com a dureza da esteira,
foram o muro onde levou as crianças e a luz árdua
da pobreza.
Agora é uma sombra que passa, curvada e lânguida,
enquanto o dia vai escurecendo a sua pele nocturna
e um rio chora, mansinho, entre os seus pés.

Anúncios

3 pensamentos sobre “Alebag, outra vez

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s