Mês: Fevereiro 2012

Balada dos homens que sonham

A versão portuguesa da Antologia Balada dos Homens que Sonham (saiu em Angola em 2011) foi recentemente lançada no decurso de As Correntes d’Escrita, na Póvoa de Varzim. Estou incluído na Antologia com José Eduardo Agualusa, Ondjaki, entre outros.

O link: http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=18770

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Melancolia

Como se morre diante de uma palavra?
Tantas que passaram pelos meus dedos – cardumes, nuvens, revoada de pombos, areia. Às vezes foram os calções e as sandálias da minha infância.
Eu sei: trago-te hoje tão pouco!
Mas é impenetrável a neblina dos montes no coração de um homem.
O poema nem sempre é o deserto que fulgura diante dos olhos, a tarde de oiro que se levanta em Setembro sobre o cântico da tribo.
Às vezes é esta palavra frágil e cansada entre outras palavras
e que cega voa em direcção às dunas onde a noite se cala,
de tão triste, no fim desta viagem
pelo dia.

Madrigal rente à Primavera

Começo a ouvir o teu nome com o cantar das aves.
Chove na música das primeiras sílabas
e uma abelha voa entre o rumor dos teus cabelos.
Vens de muito longe, do momento em que uma pétala
se abriu sobre o esplendor do mundo.
Tão pura a água que corre entre o silêncio
e o deserto onde a manhã se enche de gritos!
Começo a ouvir-te como se numa terra de chamas
os meus passos fossem as ervas que um dia pisaste
enquanto dançavas de braços abertos
à minha solidão, infinita e glacial.