Domingo de tarde

A tarde arde. Estou no meu escritório e oiço música.

Vivo numa das cidades mais caras do mundo e com um mar parado, sem cheiro. Há os rios, os lagos, poderás dizer. Há a mota ou a bicicleta. Há, há, há. Seja o que for que haja não tenho neste momento a brisa do mar e uma palavra na minha língua e da cor de uma gaivota no céu aberto.

Onde estás, oh minha tribo, de bardos e música? Onde arde a memória nesta tarde que arde quase triste não fosses tu a dançar descalça numa lágrima de silêncio?

Oh, a tarde! Que vestígios ficam agora nas sombras desta alta árvore da noite que se avizinha nesta parte do mundo?

Diz-me, companheira: com que poema atravessaremos o mar do Verão?

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2 pensamentos sobre “Domingo de tarde

  1. Da tua tribo, longe, muito longe dessa cidade que te alberga, eis-me nesta Lisboa que me acolhe, mas não me aconchega, respondendo-te na nossa língua materna. Não te respondo, correspondo-te nessa ânsia de companhia apenas com um sufoco de alma, com um suspiro de impotência material de te dar um abraço. É isso!!!

  2. Eu estou aqui, atrasado mas a ler-te e sempre com prazer.
    Que domíno da língua para expressar uma sensibilidade como a tua!
    Abraço.
    onésimo

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