Interregno

Volto hoje aqui, descalço, a olhar a luz sobre o Tempo. Volto porque oiço o mar dentro de mim.  As palavras são as ervas por onde caminho, os templos onde se recolhem as aves do Sul, as redes húmidas dos pescadores.  Volto e reparto o pão, os frutos, a alegria de um sorriso. Volto porque sou um homem de joelhos dentro do mar, porque não tenho amos, nem escravos, mas uma guitarra cega entre os dedos.

Ergo a taça dos primeiros vinhos de setembro, e não tenho vergonha de dizer que sou pobre. O meu lugar é entre as sementes. Um anjo canta entre dois olhares que se amam.

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