Onde estás, Bárbara?

Quando passo por ele, sentado na cadeira de rodas, paro e tento conversar um pouco. Tem olhos azuis, de um azul sem nuvens, e expressão de menino perdido no Tempo.

O rosto ilumina-se com a brevidade de um raio de luz. Pergunta, triste, triste, como se o mundo tivesse acabado aos seus pés:

— Estou à procura de Bárbara, a minha mulher. Não sei onde está. Viu-a?

Já vi a sede de um rio correr pela terra, a curva longa do adeus num gesto de despedida. Já vi homens pobres com montanhas às costas, uma pedra a cantar no alvor da Primavera. Mas nunca vi, até agora, um homem chorar assim, olhos secos, as mãos vazias,  cheias de uma vida rente ao pó.

— Bárbara, Bárbara! Onde estás, Bárbara?

Há um homem com o teu nome na boca, no coração, na garganta, nas veias e nas pernas  mortas como as areias do deserto.

Responde, Bárbara. Onde estás, Bárbara?

 

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